Acabamos, perdidos, por aguardar a chegada da lufada passageira, que trará não só o tempo veloz, mas também a cegueira inabalável.
A Passagem
Acabamos, perdidos, por aguardar a chegada da lufada passageira, que trará não só o tempo veloz, mas também a cegueira inabalável.
Oxalá,
o meu futuro aconteça.
E vai acontecer. Este ano vou querer viver sobre todas as peripécias que me surgirão. Sobre todas as limitações e aparentes felicitações. Vou querer que esta seja, finalmente, a altura da minha vida.
Muito bom ano, meus caros.
E vai acontecer. Este ano vou querer viver sobre todas as peripécias que me surgirão. Sobre todas as limitações e aparentes felicitações. Vou querer que esta seja, finalmente, a altura da minha vida.
Muito bom ano, meus caros.
Identificação Emotiva
Se pudéssemos nascer vividos, penso que preferíamos aceitar esse dom, em detrimento de acarretar com as aparentes preocupações repousadas. Nasceríamos assim, e continuaríamos a viver assim; envolvidos no ócio que desde sempre nos integrou, mas que por sinal teimamos em suspender, para que, em tempos projectados por nós próprios, consigamos aclamar-nos, também nós, de vividos.
Entretemos, então, a nossa desejada recreação, sem nos convencermos que a partir daí, já não somos nós os entretidos, mas antes a razão que nos guiava, porque no fundo, já não guia. Disfarçamos a nossa formação desintegrada, e desembrulhamo-nos de preconceitos que temos em relação a outrem, pois também nós somos medíocres. Na verdade, também nós queremos chegar à melodia adequada às nossas mentes, que nos afaste de ambientes hostis e nos leve à meta final.
Por fim, nada daquilo que nos parece sensato acaba por nos encher completamente. Apenas esperamos por, um dia, acreditarmos que fomos capazes de nos identificarmos.
Entretemos, então, a nossa desejada recreação, sem nos convencermos que a partir daí, já não somos nós os entretidos, mas antes a razão que nos guiava, porque no fundo, já não guia. Disfarçamos a nossa formação desintegrada, e desembrulhamo-nos de preconceitos que temos em relação a outrem, pois também nós somos medíocres. Na verdade, também nós queremos chegar à melodia adequada às nossas mentes, que nos afaste de ambientes hostis e nos leve à meta final.
Por fim, nada daquilo que nos parece sensato acaba por nos encher completamente. Apenas esperamos por, um dia, acreditarmos que fomos capazes de nos identificarmos.
Ponderabilidade
O atenuar da desilusão e da angústia passa por sabermos que no fim dos fins vai haver muito por onde contar, mas pouco por quem sentir.
E nesse fim saberemos pois, contar pelos dedos as demais histórias às quais pertencemos. Sim, porque nunca nos pertenceu nada. Nem mesmo os instintos.
Por fim, iremos jazer nas breves cinzas do ténue fogo que um dia fomos.
E nesse fim saberemos pois, contar pelos dedos as demais histórias às quais pertencemos. Sim, porque nunca nos pertenceu nada. Nem mesmo os instintos.
Por fim, iremos jazer nas breves cinzas do ténue fogo que um dia fomos.
Inexistência
Canso-me de não ter tempo para me cansar.
De não ter tempo de esgotar todas as forças.
De não ter tempo para acabar, mas essencialmente tempo para começar.
O tempo que é tão milagroso e a que temos direito… não existe;
Para mim.
É o que é, fugazmente.
Foi-mo, repentinamente.
Quero-me e não me tenho.
Quero-me para me oferecer.
E no fundo, fujo deste embrulho que é a vida,
Com vista a desembrulhar-me do que não quero.
A fazer do inexistente o meu próprio presente.
E acabo, acabada, por aceitar a inexistência do tempo,
Sem que para isso tenha de começar, terminar ou perpetuar…
Simplesmente, inexisto.
De não ter tempo de esgotar todas as forças.
De não ter tempo para acabar, mas essencialmente tempo para começar.
O tempo que é tão milagroso e a que temos direito… não existe;
Para mim.
É o que é, fugazmente.
Foi-mo, repentinamente.
Quero-me e não me tenho.
Quero-me para me oferecer.
E no fundo, fujo deste embrulho que é a vida,
Com vista a desembrulhar-me do que não quero.
A fazer do inexistente o meu próprio presente.
E acabo, acabada, por aceitar a inexistência do tempo,
Sem que para isso tenha de começar, terminar ou perpetuar…
Simplesmente, inexisto.
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